Era uma vez uma menina, uma menina bonita. Os seus cabelos louros ou talvez castanhos acentavam brilhantemente nos seus olhos azuis ou talvez verdes quando nao estavam tambem castanhos. Não sabia o nome dela. Via numa rua perdida numa cidade qualquer.
Parecia perdida, mas enquadrava-se com tudo à sua volta. Era moderna, bem vestida conhecia bastante pessoas. Apenas a sua cara o seu jeito de olhar nao se enquadrava naquela cidade.
Fui sentar-me num café a observa-la, ela atraia-me. Afinal a menina não estava sozinha, tinha amigos e amigas. Apenas estava a espera deles. Eles apareceram e começaram a falar alto e espalhafatosamente, como se o mundo fosse todo deles, nao respeitando as pessoas à sua volta. Era precisamente meia-noite. Todos agiam assim, menos a menina. Estranho pensei.
Entraram num bar num todo, eram mais ou menos uns 7 ou talvez 8. Cumprimentaram meio mundo a alto e bom som, menos a menina. Ficou para trás e a sua timidez contrastava com a exuberancia dos seus amigos.
Eram jovens, adolescentes, que gostavam de experimentar o risco. Eu tinha 45 anos, fui um escravo da vida, andei por aqui e por ali, por onde calhava, conhecia pessoas melhores que ninguém. Sabia que a menina, não era dali, não era daquele grupo mas tentava ser a todo o custo, fingia rir-se e perceber as piadas que se lançavam, fingia comportar-se como eles, imitava-os em tudo.
Rapidamente começaram a beber, e a menina foi, como sempre atrás deles. Bebeu pouco, mas rapidamente se fingiu alterada, para auge dos amigos. Eu sabia bem que o que ela bebera nao dava nem para alcoolizar uma criança. A menina fazia espectaculo, era o centro das atenções. Andou por aqui e por ali com se uma grande bebedeira se tratasse, os colegas achavam-na o maximo, ela achava-se o maximo.
Fui ter com ela, agarrei.a por um braço levei.a dali. Não tinha autoridade sobre ela mas fiz o que estava certo. Levei.a para um banco de jardim publico e olhei-a no fundo dos seus fantasticos olhos "tu não estás bebeda". Nesse momento, no rosto dela correram-lhe lágrimas abundantemente, perguntei-lhe porque ela fazia isso, ela disse que fazia porque queria. Eu disse que nao, fazia isso para ter amigos.
Ela chorou mais, e correu para o bar outra vez, agora comportando-se completamente normal. Os amigos ofereceram-lhe bebidas ela recusou. Ele olharam-na de lado e foram-se embora, não ligando nenhuma.
Afinal , eu estava certo, ela não tinha amigos, apenas bebia para manter contacto com essas pessoas que achava tão fascinantes.
Queria ser como eles, não conseguia, e isso vai persegui-la sempre.
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